~'Sinto saudades de correr descalça na chuva, sentir a leve brisa do amanhecer, brincar como criança no meio da rua, me preocupar apenas com que roupa vestir para ir ao parque, ou quantos coleguinhas hoje aparecerão.
Como é bom estar entre crianças, conhecer a sinceridade de um sorriso, ter sempre o aconchego de um abraço, saber que ali não há falsidade. Como é ruim ter que abandonar o mundo das fantasias, a simplicidade das coisas, e se deparar com o mundo real. Mundo esse em que reina a guerra, impera o ódio e domina a desunião. Mundo esse que vive em constante entropia, marcado por gritos atônicos e rostos sem expressão.
Paz, amor, fé, ordem, união... Onde estão? Hoje as espécies não mais se entendem... Hoje o amor não mais aparece... Hoje a fé luta contra o mundo, a ordem é uma utopia, a paz é uma ilusão. Agora a moda é se misturar, curtir, se lançar no mundo para ver o que é que dar. Drogas, sexo, putaria, prostituição... As pessoas de hoje não tem mais noção do que é bom ou ruim. Os limites do bem e do mal se conurbam...
A maconha está a ponto de ser liberada, e assim, mais uma droga legal estará a espera dos fracos que a buscam para fugir dos problemas e se alienar. Se só com o álcool e o cigarro tantas pessoas enterram suas vidas, destroem suas famílias, se auto-destroem por meio do vício, agora então, quantas pessoas se perderão?
E é por isso que eu prefiro então sonhar, para que deste mundo eu possa me afastar. Prefiro viver presa em meu mundo, surfando nas ondas da imaginação e embarcando na viagem dos pensamentos... Seguindo o ritmo do amor, recarregando minhas forças na fé, preferindo os ritos das outras gerações.
Antes as músicas falavam da simplicidade da vida, de uma casinha no meio do nada, com sabor de chocolate e cheiro de água molhada, da riqueza contra a simplicidade, tentando provar uma pra outra quem dava mais felicidade. Agora vivemos imersos em poluição, visual, sonora, ambiental... A moda é beber até cair, o bom é se prostituir, ficar com um e com outro, transar e não fazer amor.
Antes as pessoas davam importância ao sentimento, ao conhecimento, ao belo e não ao vulgar. Antes o desafio era conquistar, conhecer, namorar. Era bom sentir-se amado, ter alguém ao seu lado, saber que alguém te faz feliz e te quer bem, e que você tem alguém pra fazer feliz e querer também. Antes o bom era ficar juntinho, olhar o mar abraçadinhos, dar uns beijinhos, se amar... Agora ninguém mais sabe o que é o amor, ninguém mais sabe o que é amar. Todos só pensam em ficar, ficar, ficar, e o que rolar rolou. Hoje não esperam mais um momento especial, agem por impulso feito um animal irracional, beijam por beijar, falam por falar, transam por transar...
Tenho saudades do tempo em que dizer eu te amo era raro, ouvir eu te amo era mágico, falar eu te amo era especial. Tenho saudades de ouvir palavras sinceras, de ter amigos de verdade, de poder e ter em quem confiar. Hoje seus 'amigos' são por interesse, um 'eu te amo' oculta vontades, um 'abraço' silencia falsidade, um 'beijo' não representa desejo, não significa amar...
Até quando viveremos assim? Quando irão despertar? Quando decidirão mudar? O que será do mundo? Como serão as próximas gerações? Estas são perguntas que não querem mais calar, e que provavelmente suas respostas tardarão a chegar.

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